Nesta terça-feira (21), a Nasa divulgou um comunicado por meio do qual confirma que foi concluída com sucesso a Análise de Prontidão de Lançamento do Telescópio Espacial James Webb (JWST). No entanto, a agência espacial norte-americana autorizou o lançamento do foguete Ariane 5, carregando o telescópio, apenas para sábado (25), e não mais para a manhã de sexta-feira (24).

Telescópio Espacial James Webb
Telescópio espacial James Webb deverá ser lançado neste sábado (25). Imagem: Nasa/Divulgação

Segundo o comunicado, a medida foi tomada “devido às condições climáticas adversas no espaçoporto europeu na Guiana Francesa”, de onde o foguete vai partir. Ainda de acordo com a agência, a data e o horário serão confirmados em novo comunicado, previsto para ser emitido até quarta-feira (22) à noite.

Histórico de atrasos no lançamento do telescópio James Webb

Primeiramente, ele estava programado para decolar no fim de outubro. Depois, a Nasa bateu o martelo para a data de 18 de dezembro. No entanto, uma falha em um cabo de transmissão de dados do foguete precisou ser corrigida, o que acabou adiando a missão para o dia 22. No último sábado, porém, foi anunciado que o lançamento teria sua data modificada novamente – dessa vez, para o dia 24. E, agora, ficou para o sábado (25) – se não mudarem outra vez!

Para a equipe envolvida com o promissor equipamento, esses atrasos são mínimos diante de toda a espera. O desenvolvimento do telescópio começou em 1996, com o lançamento inicialmente previsto para 2007. No entanto, numerosos atrasos e um estouro no orçamento forçaram um redesenho significativo em 2005. Sua construção foi terminada em 2016, e ele está em testes desde então.

Agora, depois de 25 anos de desenvolvimento, com mais de R$56 bilhões investidos, a mais cara e uma das mais importantes missões na história da Nasa finalmente vai decolar – mesmo que, para isso, seja necessário esperar mais algumas horas ou dias.

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Quem está envolvido no projeto James Webb

Além da Nasa, a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Canadense (CSA) são parceiras no projeto. A ESA está fornecendo os instrumentos NIRSpec e o conjunto óptico do MIRI, o foguete Ariane 5 e sua base de lançamento em Kourou, na Guiana Francesa, e pessoal em operações de suporte. A CSA fornece o FGS/NIRISS e também pessoal para operações de suporte.

Após o lançamento, a operação do JWST será realizada pelo Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (STScI, Space Telescope Science Institute), localizado em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. O Instituto já é responsável pela operação do Hubble e será responsável também pelo Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, outro telescópio infravermelho em desenvolvimento pela Nasa, que tem lançamento previsto para 2027.

Nome polêmico gerou desconforto na Nasa

Nos estágios iniciais de desenvolvimento, o JWST era conhecido como NGST (Next Generation Space Telescope, Telescópio Espacial da Próxima Geração). Em 2002, a Nasa decidiu batizá-lo em homenagem a James Edwin Webb, que foi o segundo administrador da agência (entre 1961 e 1968) e figura importante no desenvolvimento do programa Apollo, que levou o homem à Lua em 1969.

Durante seu mandato como subsecretário de estado dos EUA entre 1950 e 1952, na presidência de Harry S. Truman, James Webb foi figura instrumental durante o “Pânico Lavanda”, uma série de medidas que resultou no expurgo de pessoas LGBTQIA+ em todas as esferas do governo dos EUA. Tais medidas continuaram em vigor durante o período em que Webb era administrador da Nasa.

Em 2015 o colunista Dan Savage iniciou uma discussão ao publicar no site The Stranger um artigo chamado “Should NASA Name a Telescope After a Dead Guy Who Persecuted Gay People in the 1950s?” (“Deveria a Nasa batizar um telescópio em homenagem a um cara morto que perseguiu pessoas gays nos anos 50?”).

Em março deste ano, os astrônomos norte-americanos Lucianne Walkowicz da JustSpace Alliance e Planetário Adler em Chicago, Chanda Prescod-Weinstein da Universidade de New Hampshire, Brian Nord do Laboratório do Acelerador Nacional Fermi e da Universidade de Chicago e Sarah Tuttle da Universidade de Washington se juntaram à discussão, publicando um artigo de opinião na revista Scientific American intitulado “The James Webb Space Telescope Needs to Be Renamed” (O Telescópio Espacial James Webb precisa ser rebatizado).

A Nasa respondeu estabelecendo um comitê para estudar o assunto. Enquanto isso, sugestões de novos nomes chegavam. Entre eles homenagens a Sally Ride, astronauta norte-americana que foi a terceira mulher no espaço, e Harriet Tubman, abolicionista, sufragista, ativista política e ex-escrava norte-americana, considerada “um ícone de coragem e liberdade”. Já Chanda Prescod-Weinstein sugeriu manter a sigla JWST, mas alterar o significado para “Just Wonderful Space Telescope” (Apenas um Telescópio Espacial Maravilhoso).

Em setembro de 2021 a Nasa anunciou sua decisão, afirmando que “não há evidências, no momento, que justifiquem a mudança do nome”. Em protesto, Walkowicz renunciou a seu cargo como membro no Conselho de Astrofísica da Nasa (APAC).

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